O que médico pode postar? Guia da Resolução CFM 2.336/2023

Desde 11 de março de 2024, a publicidade médica no Brasil segue a Resolução CFM nº 2.336/2023, que substituiu a resolução de 2018 e modernizou boa parte do que médicos podem fazer nas redes sociais — com limites bem definidos. Resumo direto: pode divulgar preço, pode postar antes e depois em formato educativo, pode repostar depoimento sóbrio — mas não pode prometer resultado, fazer sorteio, nem se anunciar como especialista sem RQE.

Este guia cobre o que mudou e o que continua proibido, artigo por artigo, com foco no que importa para quem posta no Instagram, TikTok ou LinkedIn.

Tabela resumo: pode × não pode

TemaPodeNão pode
Preço de consultaDivulgar valor, forma de pagamento, promoçõesPromoção casada (procedimento condicionado à compra de outro)
Antes e depoisPublicar em formato educativo, sem manipulação, paciente não identificávelUsar como prova de resultado ou autopromoção sensacionalista
DepoimentosRepostar depoimento sóbrio, sem promessa de resultadoDepoimento com adjetivos de superioridade ou garantia de cura
Sorteios e concursosSortear consulta/procedimento; concursos tipo “melhor médico” sem caráter educativo
Título de especialistaAnunciar até 2 especialidades com RQE registrado no CRMUsar “especialista” sem RQE — deve constar “NÃO ESPECIALISTA”
Equipamentos e tecnologiasDivulgar equipamentos aprovados pela Anvisa e autorizados pelo CFMAtribuir capacidade exclusiva ou privilegiada ao equipamento
Selfies e bastidoresPublicar fotos pessoais e da rotina, sem sensacionalismoExpor paciente durante consulta/procedimento, mesmo autorizado (exceto contexto educativo)
Perfil em rede socialPerfil deve exibir CRM e RQE na página principal

O que mudou com a Resolução 2.336/2023

A resolução anterior era mais restritiva em vários pontos que hoje são permitidos:

  • Preços e formas de pagamento podem ser divulgados livremente, incluindo promoções — desde que não sejam promoções casadas nem envolvam sorteio.
  • Antes e depois deixou de ser proibido, mas ganhou regras rígidas: imagem sem manipulação, paciente não identificável, e texto educativo cobrindo indicações terapêuticas, fatores que influenciam o resultado e possíveis complicações. Sem esses elementos, o post é considerado sensacionalismo.
  • Selfies e conteúdo pessoal — fotos, vídeos e áudios do médico sobre sua rotina — passaram a ser permitidos, desde que sem sensacionalismo ou concorrência desleal.
  • Equipamentos e tecnologias disponíveis na clínica podem ser anunciados, desde que aprovados pela Anvisa e com as indicações autorizadas pelo CFM — sem atribuir a eles capacidade exclusiva ou privilegiada.

O que continua proibido

  • Promessa de resultado. Nenhuma insinuação de garantia, cura certa ou sucesso do tratamento, em qualquer formato.
  • Sensacionalismo. Uso de dados estatísticos ou científicos de forma manipulada, linguagem que cause apreensão desnecessária, ou uso abusivo/sedutor de imagens que induzam a resultado garantido.
  • Sorteios e concursos promocionais. O artigo 71 do Código de Ética Médica veda oferecer serviços médicos como prêmio; concursos como “médico do ano” sem caráter educativo também são proibidos.
  • Exposição do paciente durante o atendimento, mesmo com autorização — exceto em contexto claramente educativo.
  • Concorrência desleal, incluindo comunicação desrespeitosa sobre outros médicos ou promessa de acesso exclusivo a método diagnóstico ou terapêutico.
  • Consultório dentro de farmácia, ótica ou revenda de próteses, e propaganda que associe o médico como investidor de empresa farmacêutica.

Regras específicas para redes sociais

O CRM e o RQE (quando houver especialidade) precisam constar na página principal do perfil do médico nas redes sociais — não é obrigatório repetir em cada post, mas se o conteúdo for compartilhado fora da rede original (por exemplo, reenviado por WhatsApp), os dados de identificação obrigatórios devem acompanhar a publicação.

Reposts de conteúdo de terceiros — incluindo depoimentos de pacientes — seguem as mesmas regras que se o médico tivesse publicado originalmente. Isso significa que repostar um elogio exagerado de paciente é tratado como se o próprio médico tivesse escrito aquele texto.

Credenciais: o que precisa aparecer

  • Médicos generalistas: instituição de formação, ano de formatura e a palavra “MÉDICO”.
  • Diploma revalidado: país de origem, instituição revalidadora, e “MÉDICO”.
  • Especialistas: especialidade registrada no CRM + número do RQE. É permitido anunciar até duas especialidades e duas áreas de atuação por especialidade.
  • Quem tem pós-graduação (lato ou stricto sensu) mas não tem RQE na área: deve constar “MÉDICO com [título] NÃO ESPECIALISTA”.

Perguntas frequentes

Médico pode divulgar preço de consulta nas redes sociais?

Pode. A Resolução CFM 2.336/2023 permite a divulgação de valores de consulta, procedimentos, formas de pagamento e promoções. O que continua proibido é a promoção casada — oferecer um procedimento condicionado à compra de outro serviço.

Médico pode postar foto de antes e depois?

Pode, mas só em formato educativo: sem manipulação de imagem, sem identificar o paciente, com texto explicando indicações terapêuticas, fatores que influenciam o resultado e possíveis complicações — não pode ser usado como prova de resultado ou autopromoção.

Médico pode fazer sorteio de consulta ou procedimento no Instagram?

Não. O artigo 71 do Código de Ética Médica proíbe oferecer serviços médicos como prêmio, e a Resolução 2.336/2023 reforça essa vedação. Concursos promocionais do tipo “melhor médico” também são proibidos quando não têm caráter educativo.

Médico pode repostar depoimento de paciente?

Pode, desde que o depoimento seja sóbrio, sem adjetivos que sugiram superioridade e sem prometer resultado. Depoimentos repetidos do mesmo padrão podem gerar obrigação de apuração pelo próprio médico, mesmo que ele não tenha sido quem publicou originalmente.

Médico sem título de especialista pode se anunciar como especialista?

Não. Só pode usar o termo “especialista” quem tem o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) no CFM. Quem fez uma pós-graduação em determinada área, mas não tem RQE, deve indicar claramente “médico com [título] NÃO ESPECIALISTA”.


Este resumo cobre os pontos mais relevantes para quem posta com frequência, mas não substitui a leitura do texto oficial — especialmente para casos de procedimentos estéticos, telemedicina ou parcerias comerciais, que têm regras adicionais na resolução.

Fontes oficiais

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