O que psicólogo pode postar? Guia de publicidade do CFP
Diferente de outros conselhos, o CFP não tem uma única “resolução de publicidade” recente e isolada — a regulação está espalhada entre o Código de Ética Profissional (Res. CFP 010/2005), a Resolução CFP nº 003/2007 (que trata especificamente de publicidade) e a Nota Técnica CFP nº 01/2022, que orienta o uso de redes sociais. Resumo direto: pode divulgar CRP, formação e abordagem teórica, pode compartilhar conteúdo educativo com base científica — mas não pode usar preço como propaganda, depoimento de paciente, nem imagem de sofrimento.
Tabela resumo: pode × não pode
| Tema | Pode | Não pode |
|---|---|---|
| Identificação | Nome completo (sem abreviar sobrenome), palavra “psicólogo”, CRP | Publicidade sem essas informações obrigatórias |
| Formação e abordagem | Divulgar formação acadêmica, abordagem teórica (TCC, psicanálise, sistêmica etc.) | Comparar abordagens em tom de superioridade |
| Conteúdo educativo | Compartilhar conteúdo baseado em ciência psicológica, com referências | Informação sem embasamento científico |
| Preço | Informar formas de atendimento (presencial/online) | Usar preço, desconto ou “pacote de sessões” como propaganda |
| Depoimentos | — | Postar depoimento de paciente sobre resultado terapêutico |
| Imagens | Fotos institucionais, conteúdo educativo | Imagens de pessoas em sofrimento aparente |
| Sigilo | Falar sobre temas clínicos de forma genérica | Expor caso, identificar ou insinuar identidade de paciente |
Identificação obrigatória
Toda publicidade — post, bio, anúncio — precisa conter nome completo (sem abreviar sobrenome), a palavra “psicólogo” por extenso e o número de registro no CRP. Essa exigência vem da Resolução CFP nº 003/2007 e vale para qualquer meio, incluindo redes sociais.
Conteúdo educativo: o que fortalece a autoridade
O CFP incentiva o compartilhamento de conteúdo baseado em ciência psicológica: publicações científicas, formação continuada, explicação da abordagem teórica utilizada. O ponto de atenção é sempre disponibilizar a referência quando o conteúdo cita um estudo ou dado — informação sem embasamento é tratada como pouco rigorosa.
O que evitar: mercantilização e sensacionalismo
- Preço como propaganda. Frases como “pacote de 10 sessões com 20% de desconto” ou “programa exclusivo de 3 meses para superar a ansiedade” mercantilizam o exercício profissional.
- Depoimentos de pacientes. Além do risco ao sigilo profissional, depoimentos sobre resultado terapêutico sugerem promessa de resultado — incompatível com a natureza do processo psicoterapêutico.
- Imagens de sofrimento. Fotos que retratam sofrimento aparente (mesmo de banco de imagens) são desaconselhadas por poderem banalizar ou explorar o tema.
- Comparação entre abordagens. É possível explicar e defender a própria abordagem teórica, mas não em tom de superioridade sobre outras linhas ou profissionais.
Redes sociais: o alerta da Nota Técnica 01/2022
O CFP publicou orientação específica reconhecendo que conteúdo postado online tem “permanência” — ou seja, mesmo depois de apagado, pode circular. A nota recomenda cuidado com: associação da imagem profissional a conteúdo pessoal inadequado, uso de apelidos/logos que dificultem a identificação profissional, e a linha entre liberdade de expressão pessoal e responsabilidade ética profissional, que continua valendo mesmo em perfis pessoais.
Perguntas frequentes
Psicólogo pode divulgar preço de sessão com desconto?
O uso do preço como forma de propaganda é tratado com cautela pelas normas do CFP, que proíbem publicidade enganosa ou abusiva. Expressões como “pacote de 10 sessões com desconto” ou “programa exclusivo para superar ansiedade” são consideradas mercantilização do exercício profissional e devem ser evitadas.
Psicólogo pode postar depoimento de paciente?
Não é recomendado. Depoimentos de clientes sobre resultado terapêutico expõem o sigilo profissional e podem sugerir promessa de resultado — o que o Código de Ética veda. A orientação do CFP é evitar esse tipo de conteúdo.
É obrigatório colocar o CRP nas publicações?
Sim. A Resolução CFP 003/2007 exige que toda publicidade veiculada por psicólogo contenha o nome completo (sem abreviação de sobrenome), a palavra “psicólogo” e o número de registro no Conselho Regional de Psicologia (CRP).
Psicólogo pode comparar abordagens terapêuticas (TCC, psicanálise etc.) no post?
Pode mencionar e explicar sua abordagem teórica, mas não pode fazer comparação em tom de superioridade entre abordagens — isso é tratado como concorrência desleal e falta de rigor científico.
Psicólogo pode postar imagem de paciente em sofrimento para ilustrar um tema?
Não. Imagens que retratem estado de sofrimento aparente, mesmo de banco de imagens ou de forma genérica, são desaconselhadas pelas orientações técnicas do CFP por poderem banalizar ou explorar o sofrimento psíquico.
O CFP não centralizou essas regras em uma única resolução recente — por isso vale sempre checar as orientações do seu Conselho Regional (CRP), que pode ter cartilhas complementares.
Fontes oficiais
O Caleryn valida seu conteúdo contra essas regras antes de publicar.
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